Por Redação Assessoria PY
A Ponte Internacional da Amizade, o coração pulsante do comércio entre o Paraguai e o Brasil, enfrenta um de seus períodos mais críticos desde o início da década. O cenário de filas quilométricas e caminhões parados por mais de 15 horas tornou-se a nova realidade neste fim de janeiro, após a Receita Federal e a Aduana Paraguaia implementarem um novo protocolo de segurança digital para o desembaraço de mercadorias.
O Gargalo Logístico: Operação Padrão e Tecnologia
Diferente de anos anteriores, a fiscalização em 2026 não se baseia apenas na amostragem física. O uso intensivo de scanners de alta penetração e o cruzamento de dados via Inteligência Artificial têm gerado o que empresários locais chamam de “asfixia comercial”. Segundo dados coletados pela nossa redação, o fluxo de exportações via Ciudad del Este sofreu uma retração de 22% na última semana devido à lentidão nos acessos.
“O sistema é moderno, mas a infraestrutura física da ponte é a mesma de 60 anos atrás. Não adianta ter um software de primeiro mundo se o caminhão precisa passar por uma via estreita e saturada”, afirma um despachante aduaneiro que atua na região há mais de duas décadas, evidenciando o descompasso entre controle e fluidez.
Impacto nos Preços e Abastecimento
Para quem consome ou investe na região, o alerta é real: o custo do frete internacional entre Foz do Iguaçu e as principais cidades paraguaias subiu drasticamente. Itens de eletrônicos, insumos agrícolas e produtos de cesta básica são os primeiros a sentir o reflexo do aumento no tempo de espera, que já impacta o preço final nas prateleiras de Ciudad del Este.
A estratégia das autoridades, no entanto, é clara: forçar a migração do tráfego pesado para a Ponte da Integração, em Presidente Franco. Mas há um problema crítico: as obras de acesso do lado brasileiro ainda operam em regime parcial, criando um “funil” que sobrecarrega a antiga Ponte da Amizade.
O Que Acontece Agora?
Representantes da Câmara de Comércio de Ciudad del Este solicitaram uma reunião de emergência com o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai. O objetivo é criar um corredor preferencial para cargas perecíveis e insumos industriais, evitando que a economia da fronteira sofra um colapso logístico em pleno período de safra.



