Por Redação Assessoria PY
O cenário comercial de Ciudad del Este, historicamente conhecido pelo seu vigor no varejo físico, atravessa uma transformação digital sem precedentes. No epicentro dessa mudança estão os influenciadores digitais, figuras que se tornaram as novas vitrines para o mercado esteño. Contudo, essa evolução trouxe à tona uma tensão latente: a predominância de criadores de conteúdo brasileiros que, operando a partir de Foz do Iguaçu ou de outras regiões do Brasil, capturam os maiores contratos publicitários das lojas paraguaias, muitas vezes sem a devida contrapartida tributária no país onde o serviço é efetivamente contratado.
Para os criadores de conteúdo residentes no Paraguai, o cenário é de uma competição que eles classificam como desigual. Enquanto o profissional paraguaio precisa estar devidamente formalizado, emitindo faturas legais (facturas) e cumprindo com as obrigações junto à Subsecretaria de Estado de Tributação (SET), muitos brasileiros cruzam a Ponte da Amizade apenas para produzir o material, recebendo pagamentos que nem sempre passam pelo crivo do sistema fiscal paraguaio. Essa dinâmica levanta um debate profundo sobre a soberania econômica e a regulação de serviços digitais em zonas de fronteira.
Historicamente, Ciudad del Este sempre olhou para o Brasil como seu principal cliente. Não é surpresa, portanto, que os empresários locais prefiram investir em comunicadores que falem a língua do seu público-alvo e que possuam uma base de seguidores majoritariamente brasileira. O marketing de influência, nesse contexto, não é apenas uma ferramenta de branding, mas o motor direto que impulsiona o fluxo de turistas e sacoleiros para dentro dos shoppings. A eficácia desses profissionais brasileiros é inegável, o que justifica, sob a ótica do livre mercado, a preferência por suas contratações.
A disparidade de valores praticados no mercado também é um ponto de atrito. Relatos de profissionais do setor indicam que, enquanto um influenciador paraguaio de alto nível gerencia campanhas com valores entre 150 e 350 dólares, os perfis brasileiros com grande alcance no mercado vizinho chegam a cobrar entre 500 e 1.000 dólares por ações pontuais. Essa valorização ocorre porque o empresário esteño não está comprando apenas um vídeo ou uma sequência de stories, mas sim o acesso direto ao bolso do consumidor de Cascavel, Curitiba, São Paulo e além.
Sob uma perspectiva anarcocapitalista, a questão da tributação ganha contornos específicos. A reclamação dos paraguaios pela ‘falta de impostos’ pagos pelos brasileiros pode soar como um clamor por mais intervenção estatal, o que, em última análise, prejudica o ambiente de negócios. O problema real não é que o brasileiro não paga imposto, mas que o paraguaio é obrigado a pagá-lo, reduzindo sua margem de lucro e sua capacidade de reinvestir no próprio canal. A verdadeira liberdade econômica seria alcançada se ambos pudessem competir sem a carga espoliadora do Estado, permitindo que o mérito e o alcance da audiência fossem os únicos critérios de escolha.
Entretanto, dentro da estrutura legal vigente no Paraguai, a formalização é uma realidade que impõe custos operacionais. Inscrição no RUC (Registro Único de Contribuintes), contratação de contadores e o pagamento de impostos sobre serviços tornam o produto final do influenciador local mais caro ou sua operação menos rentável. Quando um competidor estrangeiro entra no mercado ignorando essas etapas, cria-se o que os economistas chamam de assimetria regulatória, onde a lei acaba por punir o cidadão local em benefício do visitante.
Os empresários de Ciudad del Este, por sua vez, defendem-se afirmando que o objetivo final é a sobrevivência e a prosperidade de seus negócios. Se um influenciador de Foz do Iguaçu traz dez vezes mais clientes do que um influenciador de Assunção ou de Ciudad del Este, o investimento será direcionado para onde há retorno. Para o dono da loja de eletrônicos ou da perfumaria, a burocracia tributária do prestador de serviço é um detalhe secundário diante da necessidade de escoar o estoque e manter os empregos de centenas de funcionários paraguaios que dependem das vendas.
A infraestrutura das redes sociais eliminou as fronteiras físicas, mas as legislações nacionais continuam presas ao território. Este conflito em Ciudad del Este é um microcosmo do que acontece globalmente com gigantes da tecnologia e prestadores de serviços remotos. A diferença é que, na fronteira, o ‘remoto’ está a apenas alguns metros de distância, cruzando uma ponte diariamente. Essa proximidade física torna a percepção da injustiça fiscal muito mais aguda para os profissionais locais que veem os contratos bilionários escaparem por entre os dedos.
Além da questão financeira, há um componente cultural e de desenvolvimento de mercado. A predominância brasileira no marketing digital da fronteira inibe o crescimento de uma indústria criativa local forte. Se os talentos paraguaios não recebem o mesmo incentivo e investimento, o país acaba exportando divisas em forma de pagamentos de serviços, em vez de fomentar um ecossistema de mídia próprio que poderia, a longo prazo, diversificar a economia para além do comércio de importados.
Para investidores, esse cenário sinaliza uma oportunidade e um alerta. A oportunidade reside na profissionalização de agências que possam mediar essas contratações, garantindo que as empresas estejam em conformidade legal e, ao mesmo tempo, alcancem o público desejado. O alerta fica para a possível reação governamental; a SET tem aumentado a fiscalização sobre profissionais liberais e a economia digital, e não seria surpresa se novas normativas fossem implementadas para capturar essa receita que hoje flutua livremente entre as moedas real, dólar e guarani.
A solução para os criadores paraguaios pode não estar em pedir mais impostos para os brasileiros, mas em exigir menos para si mesmos e em investir na especialização para o mercado brasileiro. Entender a psicologia de consumo do brasileiro, dominar as nuances da língua e oferecer pacotes que incluam a facilidade da nota fiscal local podem ser diferenciais competitivos. O mercado é soberano e ele premia a eficiência, a audiência e a facilidade de transação.
A conclusão que se tira deste embate é que Ciudad del Este continua sendo um organismo vivo e mutável. A transição do ‘comércio de balcão’ para o ‘comércio de cliques’ é inevitável. Aqueles que souberem navegar pelas águas turvas da legislação de fronteira, mantendo a ética e a agilidade que o mercado exige, serão os vencedores. O Estado, como sempre, corre atrás das inovações, tentando tributar o que mal consegue compreender, enquanto indivíduos livres buscam formas de criar valor e prosperar.
Visão da Assessoria PY: O impacto dessa dinâmica é sentido diretamente no bolso do empreendedor esteño, que hoje vê no influenciador brasileiro o seu maior aliado de vendas. Para os investidores, fica claro que o marketing digital é o setor que mais cresce na região, demandando agências especializadas que entendam de legislação binacional. Aos brasileiros que atuam no Paraguai, recomendamos cautela e a busca por assessoria para evitar sanções migratórias ou fiscais, já que a visibilidade digital também atrai os olhos do fisco. Acompanhe no portal Assessoria PY as atualizações sobre como regularizar sua situação e as novas tendências de investimento na fronteira mais vibrante da América Latina.
—
**Regularize sua vida no Paraguai com a Assessoria PY**
Se você deseja obter sua Residência, Cédula de Identidade paraguaia, RUC ou Licença de Conduzir no Paraguai, conte com a Assessoria PY e com o Gestor Migratório Anderson Sganderla. Atendimento completo, seguro e sem complicações.
Fale agora: http://urlcurta.top/assessoriapy



