Por Redação Assessoria PY
O cenário em torno da liquidação do Banco Master ganhou contornos dramáticos nesta sexta-feira (30). Em depoimento prestado à Polícia Federal, o diretor do Banco Central, Ailton Aquino, revelou detalhes estarrecedores sobre a saúde financeira da instituição antes de sua intervenção. Segundo Aquino, o banco — que possuía ativos totais na ordem de R$ 80 bilhões — operava com uma liquidez ínfima de apenas R$ 4 milhões em caixa no momento que antecedeu a liquidação.
Um Gigante com Pés de Barro
A revelação chocou analistas do mercado financeiro. Para uma instituição do porte do Master, classificada como S3 (médio porte), o esperado seria uma reserva de ativos livres entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para garantir operações cotidianas e saques de clientes.
“O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões no caixa”, afirmou o diretor em seu depoimento, evidenciando que a instituição estava em um estado de asfixia financeira completa, incapaz de honrar compromissos básicos.
O Efeito Dominó: Will Bank e Mastercard
A crise não se limitou ao banco principal. A Will Financeira (Will Bank), que integra o mesmo conglomerado, também foi citada por apresentar graves dificuldades em sua “grade de pagamentos”. O agravante final veio com o descumprimento de prazos junto à bandeira Mastercard, o que levou à suspensão da aceitação de cartões emitidos pela fintech, gerando pânico entre os usuários.
O Banco Central chegou a colocar a Will Bank sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET) na esperança de uma venda para investidores árabes, mas o negócio não prosperou, selando o destino do grupo.
Bastidores do Poder e Disputa no STF
Enquanto a Polícia Federal avança nos depoimentos, a batalha jurídica atinge a cúpula do Poder Judiciário. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli e Gilmar Mendes, devem se reunir para definir se a CPI que investiga o caso terá acesso total aos dados sigilosos das investigações.
O depoimento de Daniel Vorcaro, principal acionista do banco, também repercutiu nos bastidores após ele afirmar ter “amigos em todos os poderes”, declaração que acendeu o alerta sobre possíveis influências políticas na gestão e na fiscalização da instituição ao longo dos últimos anos.
O Que Acontece Agora?
Com a liquidação extrajudicial decretada em novembro passado, o Banco Central segue no processo de encerrar as atividades, vender bens e tentar ressarcir credores. Para os especialistas, o “Caso Master” deve se tornar um divisor de águas na regulação de bancos de médio porte e fintechs no Brasil, expondo falhas na supervisão de instituições que cresceram aceleradamente com juros acima do mercado e investimentos de alto risco.
Glossário para o leitor:
- Liquidação Extrajudicial: Quando o BC encerra as atividades de um banco insolvente para proteger o sistema financeiro.
- RAET: Intervenção temporária onde o BC assume o controle para tentar sanear a empresa antes de uma medida mais drástica.



